O Banco de Portugal vai introduzir regras mais exigentes na concessão de crédito à habitação, com o objetivo de reforçar a estabilidade do sistema financeiro e limitar o risco de endividamento das famílias.
Estas alterações incidem sobretudo nos critérios usados pelos bancos para aprovar crédito, nomeadamente na avaliação da capacidade financeira dos clientes e nos limites associados ao empréstimo.
O que pode mudar no acesso ao crédito?
- Maior rigor na avaliação da taxa de esforço das famílias (DSTI)
- Possível redução da percentagem do rendimento que pode ser comprometida com prestações
- Reforço dos limites já existentes no rácio entre rendimento e dívida
- Análise mais conservadora da capacidade de pagamento ao longo do contrato
Impacto para quem quer comprar casa
- Pode tornar-se mais difícil aceder ao crédito para perfis com menor folga financeira
- Algumas famílias podem ter de ajustar o valor de compra do imóvel ou aumentar a entrada inicial
- O processo de aprovação pode tornar-se mais exigente e seletivo
- Maior foco dos bancos na sustentabilidade do crédito a longo prazo
O que está por trás destas medidas?
O Banco de Portugal tem vindo a alertar para o aumento do crédito à habitação e para o risco de endividamento em contextos de maior pressão no mercado imobiliário.
Com estas regras, o objetivo é garantir que os empréstimos concedidos são sustentáveis, mesmo em cenários de subida de juros ou alterações na situação financeira das famílias.
O que isto significa para o mercado?
Na prática, estas medidas podem levar a uma maior prudência na concessão de crédito, o que pode ter impacto direto no ritmo de compra e venda de imóveis.
Ao mesmo tempo, reforçam a estabilidade do sistema financeiro e procuram evitar situações de sobre-endividamento das famílias no futuro.